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Aconteceu durante os dias 16 a 21 de novembro a segunda etapa da capacitação em Terapia Comunitária, promovida pelo Movimento Integrado de Saúde Comunitária do Estado do Mato Grosso em parceria com a Fundação Cearense de Cultura e Pesquisa e o Ministério da Saúde. A capacitação contou com a participação de 42 profissionais de saúde (agentes comunitários, psicólogos, enfermeiros, médicos) vindos de Guarantã, União do Sul, Tapurah, Sorriso, Cuiabá e Lucas, Escola de Saúde Estado e UFMT.
Atualmente a Terapia comunitária encontra-se em todos os estados do Brasil, na França, Itália e Suíça, e sua metodologia foi criada e sistematizada pelo Doutor em psiquiatria, antropólogo e teólogo, Adalberto Barreto, em 1987, na favela de Pirambu, Fortaleza - CE.
A TC surgiu nessa favela em resposta a duas necessidades: de atender milhares de pessoas com problemas emocionais e psíquicos e adequar as propostas acadêmicas de promoção de saúde às carências reais apresentadas por aquela comunidade.
Desde o início, o professor Adalberto Barreto percebeu que não poderia trabalhar na favela do mesmo modo como trabalhava no hospital ou no consultório, prescrevendo remédios e abordando as pessoas individualmente.
Entendeu que a lógica de consultas médicas não responderia às necessidades daquelas pessoas. A maioria era imigrante que deixava sua comunidade de origem e se agregava desordenadamente nas periferias das grandes cidades, em condições de miséria e sem apoio do Estado.
A Terapia comunitária se insere na rede de Saúde Pública por meio das equipes do Programa de Saúde da Família - PSF, equipes dos Centros e Postos de Saúde, Hospitais Gerais e Serviços de Saúde Mental.
Os serviços básicos de saúde, educação e de assistência social do governo têm sido insuficientes para abarcar esse atendimento, tornando-se precárias as ações de saúde e assistência à criança, à família e à comunidade.
Na maioria dos casos os atendimentos das instituições oficiais são direcionados aos problemas já instalados: doenças crônicas, relacionamentos familiares adoecidos e vínculos sociais esfacelados.
Na rede pública de saúde, a Terapia Comunitária tem por objetivos: criar um cinturão de atenção, cuidado e prevenção; ser multiplicador do atendimento; identificar e encaminhar aos centros especializados as situações graves de transtornos psíquicos e servir de elo e favorecer o envolvimento multiprofissional da rede com uma proposta de atenção básica em saúde mental.
Como exemplo de aplicação da TC em Centros de Saúde pública, citamos os dos PSF do município que incorporaram a TC na prática de atendimento. A população que procura esses espaços é de baixa renda, apresenta problemas de depressão, alcoolismo, drogadição, delinqüência e outros males sociais.
A terapia Comunitária comunga dos princípios que norteiam a assistência à saúde integral e articula-se com a prática cotidiana do atendimento na unidade de saúde. Acolher as pessoas portadoras de sintomas clínicos, somatizações e transtornos mentais, em especial episódios depressivos leves e moderados.
O convívio articulado da Terapia Comunitária com os Centros de Saúde vem reafirmar a TC como um instrumento poderoso de melhoria da qualidade de vida das pessoas e de seus familiares.